domingo, 25 de março de 2007

Primeiros versos

A vida passa na claridão dos pássaros, que voam amarguradamente sob o mar azul. As pernas se confundem no desejo confuso, na inexatidão dos pecados dos corpos molhados que não se encontram mais. Os olhos pagãos, cegaram-se...Simplesmente perdidos,inertes, sentindo que não há mais sentido para sorrir nem para sofrer.. Dançando na magia que são simples notas sem melodia..Vivendo sem motivo, no desatino de renascer...

Presa na complexidade de um sentimento qualquer .. Meu coração não consegue disfarçar, está acorrentado à uma ilusão na tentativa de se libertar. O ar se perdeu..A iniciativa de um sorriso disse adeus...

A poesia está sem verso, as palavras se juntam na desarmonia das próprias letras... Sílabas não rimam. Rimas com dor? O poeta se contradiz ao falar de amor. O que seria tal sentimento? Se fosse definir o que é amor, não estaria me esforçando para escrever como este devora meu cérebro, meu tato, minha pele asfixiada..Amar é uma lágrima com a capacidade de um perdão.. É a cegueira dos vivos..É a certeza dos mortos..

A loucura corrói o interior sem seguir o peito fadigado. Não sei mais o que é sentir Lábios..Pele..Toque..Calor..Os instantes não estão tão distantes;; O tempo acabou...Cadê o meu rosto jovem? O sorriso infantil se entristeceu...Nova fase brotando, flores partindo, novos horizontes chegando...No carrossel do conto de fadas o herói é infeliz..

Identidade rasgada , perfil transformado..Mutando em todas as direções... Um ponto fixo é o ideal, o paraíso ..Busco olhares, mãos calientes, pensamentos recíprocos, telepáticos..Não desejo mudas pequenas, mas folhas que colhemos na primavera...Não preciso vivenciar eternamento o verão.Apenas desejo morrer no outono...Não morrer puramente, morrer ciente de que fui feliz...

Pássaros continuam a voar..Talvez um dia eles encontrem seu ninho...Os trovões podem ceder..O sol pode renascer...No céu, a esperança...Na terra, a descrença...No vento, o litoral..No interior, um vendaval..Cadê a minha vida? Meus amigos, onde estão? Minha alegria.. em vão..?

Choro pelos planos e pelos desejos mais absurdos..
Choro pelo silêncio dos meus sonhos e pelos meus pecados mudos..
Choro pela inexatidão dos meus atos..
Pela carência de afagos, e até por singelos abraços..
Choro por quê amo sem saber se quero amar..
Choro como forma de abrigo..
Choro desobstruindo o meu castigo..
Choro simplesmente para desabafar...
Choro para aliviar e me esconder..
Choro por estar viva sem viver...

3 comentários:

Unknown disse...

Muito bom! Um convite para uma viagem abstrata!

Unknown disse...

Parabéns !!!
Lindos versos em prosa e em poesia !!
Você é praticamente uma escritora pós-moderna de nossa Literatura !!
São versos dignos de aplauso !!!
Linhas merecedoras de elogios !!!
Enfim... pouca gente escreve com você... isso é um dom viu ! Sinceramente... eu tou admirado com a beleza de tuas palavras!!!

Unknown disse...

como*