As cordas macias revelam o segredo, que nem teu peito consegue desvendar...
Quando as tuas mãos amaciam em um simples tocar, teu semblante muda..
Teus olhos parecem reluzir um brilho jamais visto antes...
Tantas noites solitárias....
Quantas madrugadas vazias...
O coração não consegue expressar o que as lágrimas, silenciosas, insistem em demonstrar..
As canções de um amor que partira magoam seu orgulho ferido...
No luar, cansado, ouve apenas o som de uma voz...
A voz que quer gritar, mas se cala.
A voz que quer lutar, mas não tenta.
A voz que quer viver, mas não vive.
Dedilhando o violão...
Iludindo a solidão...
O quarto escuro esconde a beleza do mar que lhe sorrir...
O tempo passa...
Os pássaros voam...
Pensamento acorrentado...
Cada nota é o pulsar de um batimento à procura de uma sintonia..
Somente a música consegue chegar no auge da tua introspecção..
As cordas suaves daquele violão ouvem choros, desabafos...
Composições de lábios que já beijaram,
De bocas que já sorriram,
De mãos que souberam tocar,
De corpos que aprenderam a amar...
Ao entardecer, a tua entrega parece ser completa.
Os teus sentidos se confundem...
Tua pele arde.
Teu desejo insacia.
Canções inacabadas.
Letras sobrevivendo à espera do compositor...
Compositor que protagonize, sem ser vítima do acaso.
Compositor que chore, sem deixar a fraqueza lhe render.
Compositor que ame, mesmo quando não houver mais motivos para amar.
Compositor que entregue a alma...Que lapide a calma de uma angústia...
Tua timidez se esconde atrás de simples melodias...
Tocar um sonho..
Chegar mais perto de uma realidade inexistente..
Tocar a imaginação..
O menino e aquele violão são cúmplices de uma história
Que os olhos enxergam,
Que as palavras não soletram,
Que o pensamento quer exprimir..
O menino e aquele violão nunca se desgrudam...
Um sente o que o outro quer dizer...
Um pressente o que irá acontecer...
Os dois se protegem ...Cansados de sofrer...
Companheiros de vitórias e derrotas...
Amam o mesmo sorriso...
Fascinam a mesma menina..
Não se despedem jamais..
Encontram-se numa só melodia...
Perdem-se na própria sina...
O menino e aquele violão compreendem o olhar,
Entendem a face de um sorriso.
O menino,o verso.
O violão, a poesia.
O menino, o verão.
O violão, o outono .
O menino, o desejo.
O violão, a esperança.
O menino, um adulto.
O violão, a criança.
O menino, a carne.
O violão, o prazer.
O menino e aquele violão alcançam o infinito do meu ser,
Que vive em função deles,
Que morre por eles.
O menino, o cantor.
O violão, uma canção.
O menino, um amor.
O violão, uma paixão.
Sentimentos complexos interligados na própria verdade de sermos um só.
segunda-feira, 30 de abril de 2007
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